Claudio dramáticas de Jacopo Peri, Giulio Caccini e

Claudio Giovanni Antonio Monteverdi nasceu em Cremona, em 1567, e falecendo em Veneza, em 1643. Filho de um barbeiro-cirurgião, estudou com o Mestre de Capela da Catedral de Cremona, Marc’Antonio Ingegneri. Publicou as suas primeiras obras ainda na adolescência, e os seus primeiros êxitos editoriais foram os primeiros dois livros de madrigais, publicados por Gardano em Veneza em 1587 e 1590, que revelam a clara influência de Luca Marenzio. Em 1590-91, entrou ao serviço do Duque de Mântua como violinista/violista e estabeleceu contacto com o flamengo Giaches de Wert, o que muito influenciou o seu estilo, agora bem mais audaz, experimental e expressivo (madrigais de 1592). Viajou, no séquito do Duque, até à Hungria e à Flandres. 
Em 1603 e 1605, publicou o 4.º e 5.º Livros de Madrigais, que correspondem ao apogeu e maturidade desta forma musical. Visto pelos seus contemporâneos como o mais inovador e radical, sofreu as críticas acintosas do teórico bolonhês Artusi, insatisfeito com o estilo pouco académico de Monteverdi, que este defendeu publicamente num prefácio, posteriormente revisto e aumentado. Nele, renunciou ao epíteto revolucionário e, em vez disso, estabeleceu a distinção teórica entre Prima e Seconda Prattica sem considerar uma superior à outra, mas apenas profundamente distintas no seu estilo, nas suas regras e nos seus objetivos. Em 1607 influenciado pelas primeiras obras dramáticas de Jacopo Peri, Giulio Caccini e Emilio de’ Cavalieri, compôs L’Orfeo. Esta ópera – ou, antes, Favola in Musica – não foi a sua primeira composição dramática, mas foi a que o consagrou como primeiro grande mestre do novo género, e é modelar em todos os seus aspetos. Após a trágica perda da esposa, Monteverdi escreveu logo no ano seguinte, em 1608, mais duas obras-primas dramáticas: Il Ballo delle Ingrate e L’Arianna. À crise pessoal, seguiu-se uma longa crise profissional em que Monteverdi se sentiu revoltado e incompreendido pela corte de Mântua, que viria a culminar com o seu despedimento, em 1612. Deste período crítico, datam a versão madrigalesca do Lamento della Arianna e a Sestina – ciclo de madrigais à memória de Caterina Martinelli, a jovem cantora que deveria ter interpretado o papel de Ariana na sua estreia –, bem como as obras sacras publicadas em Veneza em 1610 e hoje conhecidas como Vésperas de Nossa Senhora e que incluem vários salmos, cânticos, hinos, motetos e uma missa, oferecidas pessoalmente pelo compositor ao Papa Paulo V. Em 1613, Monteverdi foi escolhido para o prestigiado posto de Mestre de Capela da Basílica de São Marcos, em Veneza. Aqui foi o responsável por 
uma completa renovação da prática musical, compondo muitas obras sacras – publicadas sobretudo em Selva Morale e Spirituale em 1640-41, mas também em várias outras publicações coletivas – e nomeando como seus assistentes grandes compositores da seguinte geração, como Alessandro Grandi, Francesco Cavalli e Giovanni Rovetta. Algumas influências desta nova geração transparecem no ballo Tirsi e Clori de 1616 e no inovador 7.º Livro de Madrigais, de 1619. 
O seu estilo viria ainda, porém, a evoluir e a explorar novas formas e efeitos expressivos, destacando-se nesta fase a cantata dramática Combattimento di Tancredo e Clorinda, de 1624, sobre poesia de Tasso, em que surge, pela primeira vez, formulado o neoplatonismo da sua teoria expressiva sobre as três emoções principais: Amor, Guerra e Temperança. Depois do severo surto de peste que assolou Veneza e o Norte de Itália em 1630, Monteverdi foi ordenado padre e escreveu para a ocasião uma grande missa votiva, da qual sobrevive o Gloria, publicado só em 1640 na Selva Morale e Spirituale. Da mesma época, datam muitas das suas obras profanas finalmente publicadas no oitavo e último livro de madrigais, os Madrigali guerrieri et amorosi, de 1638. Nesta época, o compositor já tinha ultrapassado os 70 anos e parecia encerrar com grande dignidade a sua longa carreira. Mas, em 1637, foi inaugurado o primeiro teatro público de Veneza, e Monteverdi, sendo o único compositor local com experiência no género que foi chamado a contribuir para o repertório. Em 1640, foi reposta L’Arianna e nos seus últimos quatro anos de vida compôs mais três óperas, das quais sobrevivem Il ritorno d’Ulisse in Patria, de 1640, e L’incoronazione di Poppea, de 1643, ambas indiscutíveis obras-primas. 
A sua fama nunca se extinguiu, ainda que as suas obras só tenham sido revividas no século XX. Tido como um revolucionário, hoje vemo-lo mais como o mais destacado representante de um movimento que eclodiu na Itália dos finais do século XVI e que, na sua incessante procura de uma “Nova Música” baseada nos pressupostos da Antiguidade Clássica, mais não é do que a verdadeira ‘Revolução Renascentista’ no campo musical. A crença inabalável de que a música ‘move o Homem na sua integridade’, expressa os seus sentimentos mais íntimos e profundos e deve ser sempre “serva da poesia” – ainda que na verdade, nas suas obras, Poesia e Música são duas irmãs inseparáveis e iguais em importância –, é a matriz de toda a obra de Monteverdi, desde o preciosismo dos seus madrigais ao imediatismo das monodias, da polifonia tradicional das suas missas ao brilhantismo dos salmos concertados, do vigor dos bailes à sublime expressividade das óperas